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Quando o software sob medida vale mais que a ferramenta pronta? A Crosoften aponta cinco sinais

Empresas pagam por licenças que não usam e por adaptações que nunca terminam. Para a engenharia de software com mais de 2.500 projetos entregues, a decisão entre construir e comprar começa pelo processo, não pela tecnologia

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Empresas pagam por licenças que não usam e por adaptações que nunca terminam. Para a engenharia de software com mais de 2.500 projetos entregues, a decisão entre construir e comprar começa pelo processo, não pela tecnologia

Contratar uma ferramenta pronta costuma ser a decisão mais rápida. A assinatura cabe no cartão, a implantação leva dias e o fornecedor promete atualizações constantes. O problema aparece meses depois, quando a equipe passa a adaptar o próprio trabalho ao sistema, e não o contrário. Um levantamento global da Zylo, empresa americana de gestão de softwares por assinatura, que analisou mais de 40 milhões de licenças, mostra que as organizações deixam em média 36% delas sem uso. No mesmo estudo, 61% dos líderes de TI ouvidos disseram ter cortado projetos por causa de aumentos não previstos no custo dessas assinaturas. E o volume investido segue em alta: projeção divulgada em outubro pela consultoria americana Gartner indica que os gastos mundiais com software devem somar US$ 1,46 trilhão em 2026, avanço de 15,2% sobre o ano anterior, e chegar a US$ 1,68 trilhão em 2027.

No Brasil, o setor também cresce, mas em ritmo menor. O estudo Mercado Brasileiro de Software: Panorama e Tendências 2026, da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) com dados da IDC (International Data Corporation), mostra que o mercado de TI do país somou US$ 67,8 bilhões em 2025, alta de 18,5%, e deve avançar 5,3% em 2026.

É nesse ponto que muitas empresas começam a se perguntar se vale construir o próprio sistema. A Crosoften, empresa brasileira de engenharia de software fundada em 2003, ouve essa dúvida com frequência. Com mais de 2.500 projetos entregues e uma estrutura de cerca de 800 desenvolvedores, a companhia nasceu como portal de buscas e hoje desenvolve aplicativos, sistemas e inteligência artificial para empresas de diferentes portes. Com operação no Brasil, no Panamá e no Chile, em 2026, a Crosoften consolida sua expansão para o mercado norte-americano, levando soluções de alto impacto para clientes nos Estados Unidos.

“Ninguém deveria começar um projeto sob medida porque acha a ferramenta pronta cara. O ponto é outro: quando o seu jeito de operar é o que faz o cliente escolher você, encaixá-lo num sistema genérico é abrir mão da vantagem”, afirma Rafael Melo, CEO da Crosoften.

Segundo ele, cinco sinais ajudam a separar os dois caminhos.

1. O processo é o que diferencia o negócio

Ferramentas prontas são desenhadas para o caso médio. Funcionam muito bem para rotinas que todo mundo executa do mesmo jeito, como folha de pagamento, e-mail ou emissão de nota fiscal. Quando o processo é justamente o que a concorrência não consegue copiar, como uma forma própria de precificar, de roteirizar entregas ou de atender o cliente, padronizá-lo tende a nivelar a empresa por baixo.

2. A equipe já paga para contornar o sistema

Planilhas paralelas, retrabalho manual e consultorias contratadas só para adaptar a ferramenta são sinais de que o produto não cabe na operação. A 36ª Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV (Fundação Getulio Vargas), feita com 2.672 médias e grandes empresas, aponta que 90% do uso de ferramentas de inteligência analítica nas áreas financeiras ainda está no Excel. “Muita empresa já paga por um software sob medida sem perceber. Só que paga em horas da equipe, todos os meses”, diz o executivo.

3. A conta da assinatura cresce mais rápido que o negócio

Licenças cobradas por usuário ou por consumo ficam mais caras à medida que a empresa contrata e vende mais. Nas médias e grandes empresas brasileiras, gastos e investimentos em TI já equivalem a 10% da receita, e cada usuário representa R$ 60 mil por ano em tecnologia, segundo a mesma pesquisa da FGV. Em algum momento, a soma de alguns anos de mensalidade pode superar o investimento em um sistema próprio, que passa a ser um ativo da empresa. A comparação precisa incluir o custo de manutenção, mas costuma surpreender quem nunca colocou os números lado a lado.

4. Integrar virou o projeto principal

Quando a empresa usa vários sistemas que não conversam entre si, boa parte do esforço de tecnologia vai para fazer os dados circularem de um lado para o outro. Um software desenhado em torno do processo pode substituir parte dessas pontes e reduzir o risco de informação duplicada ou perdida no caminho. Para Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo com a IDC, as empresas brasileiras passaram a investir menos para digitalizar e mais em busca de retorno, integração entre tecnologias e racionalização de custos.

5. O dado é sensível ou estratégico

Em setores regulados, ou quando a base de clientes é o principal ativo do negócio, ter controle sobre onde a informação fica e quem acessa pesa na decisão. O tema ganhou peso com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com o uso crescente de inteligência artificial sobre essas bases. Pesquisa da IDC encomendada pela ABES e divulgada em agosto de 2026, com 107 decisores de TI de empresas com mais de 100 funcionários, mostra que 95% das organizações já usam a tecnologia, mas só 48% afirmam ter dados bem estruturados e governados.

Quando a ferramenta pronta é a melhor escolha

A Crosoften não recomenda desenvolver tudo. Para rotinas padronizadas, para empresas que ainda estão validando o modelo de negócio ou quando não há orçamento para manutenção contínua, a ferramenta de mercado costuma ser a decisão certa. “Sob medida não é sinônimo de melhor. É a escolha certa quando o software vira parte do produto ou da forma de competir”, resume.

Como reduzir o risco de um projeto próprio

O receio mais comum de quem considera o caminho sob medida é o projeto que não termina e o orçamento que não para de crescer. Para enfrentar isso, a Crosoften define escopo, preço e prazo antes de começar o desenvolvimento. O trabalho começa com acordo de confidencialidade e diagnóstico, segue com proposta fechada e tem entregas em ciclos de 60 dias, em média, com pagamento por etapa. Os projetos contam com garantia de cinco anos contra bugs e defeitos de desenvolvimento.

A lição vale para qualquer empresa, com ou sem projeto em vista: antes de comparar o preço de uma assinatura com o de um sistema próprio, vale mapear quais processos realmente diferenciam o negócio. É neles, e não no restante da operação, que a pergunta entre construir e comprar faz sentido. Na prática, isso costuma significar começar pequeno, com um processo e um ciclo de entrega, antes de pensar em substituir todos os sistemas de uma vez.